Eu sei, eu sei, vocês vão me perguntar quem é ou o que é Jadi, mas o que posso dizer sobre Jadi é que Jadi cheirava a leveza, cheirava a cama e edredom em dias de chuva, ou melhor, talvez não seja do cheiro que eu esteja falando, talvez seja a leveza do ser e sentir, do ser sentindo, da inconstância da chuva de verão. Jadi pode ser um garoto que olha nos olhos enquanto sorri, Jadi pode ser um sentimento, uma lembrança boa ou uma história contada baixinho em uma noite de verão. Jadi também pode ser um recorte no tempo, então Jadi não é, Jadi foi; Jadi foi naquela chuva de verão de 2017, pela estação, passando pelos trilhos do trem, o trem não passa mais na cidade, só Jadi. Jadi passou (passa), mas Jadi ficou; Jadi ficou congelado na fotografia de Jadi entre as árvores e as gotas de chuva, de verão. Jadi foi um amor de verão, mas Jadi não conjuga o verbo amar, eu também não.
Texto escrito por Daiane @marviero
Ilustração por Pierre Jean Louis
+ sobre a autora do texto:
Me chamo Daiane (mas por favor, me chame de Dai, somos amigas, certo?) Tenho uma coleção de cartas e “faças você mesma” inacabados, uma gata preta chamada Mafalda (Mafalda fugiu de casa, mas quando isso aconteceu um pedacinho dela já morava aqui dentro de mim) e uns afetos que carrego na mala.Mas se você é uma pessoa grande (como diria meu amigo Pequeno Príncipe, filho de Saint-Exupéry), você vai precisar das seguintes informações: Moro no número 291, em uma cidadezinha do interior de Alagoas, tenho 21 anos e 2 irmãos (1 garotinho e 1 garotinha). Quer saber mais? Senta aqui, vamos tomar um chá.
