Dói. Dói muito. Dói muito saber toda a verdade, após tanto tempo acreditando na mentira. Me sinto perdida, antes, para qualquer lugar que eu fosse, você era meu mapa, minha bússola, que guiava o meu caminho. Você era meu Sol, minha vida era como um planeta que girava em torno de você. Agora que eu sei tudo, todo aquele amor puro que eu sentia por você, se transformou em um constante ódio. De meu príncipe, virou apenas mais um cavalo que veio passar o tempo comigo, e me iludir enquanto era divertido. Depois que perde a graça, vai embora, encontrar uma menina nova para se divertir. Você me chamava de boneca, e realmente brincava comigo. E eu, como um brinquedo bobo, acreditava que era uma boneca de porcelana, que você cuidaria sempre, para não receber nem um arranhãozinho, mas agora percebo que era apenas mais uma das barbies de sua coleção, que está toda quebrada, sem braço, perna, e agora, sem coração.
Vejo que me enganei, eu vivia por você, e não para você, e, hoje, refletindo toda a nossa história, percebo que desde do início, ela, para você, já tinha data para o final. Nossa brincadeira de amor foi como uma viagem de férias, que tem data de ida e volta, que é muito boa enquanto dura, mas depois não faz a mínima diferença. Talvez eu já devesse saber disso, talvez, eu tenha dado muito dinheiro, para algo sem valor, muita fé a algo que nem tinha religião. Sim, talvez eu devesse saber que esse amor era limitado, mas talvez, você devesse saber usar “eu te amo eternamente” em casos que não estiverem com a data de fim marcada. Não fui eu que me iludi imaginando verdadeiros planos, foi você que me iludiu alimentando cada vez mais um falso amor.
Você me iludiu me fazendo acreditar em ser única, e eu me desiludi, te fazendo ser só mais um qualquer. E, apesar de todos os lagos de lágrimas, das noites sem dormir, dos dias sem conseguir comer, das horas gastas com o nosso filme romântico rodando na minha cabeça, eu não me arrependo de ter acabado com tudo que existia entre nós, e sim te ter começado com o “nós”.
Mas agora acabou tudo o que nunca havia começado. O “a gente” não existe, e não existirá nunca mais. Não tem mais o “eu e você”, agora é: Eu. Você. Nossa saga romântica acaba aqui, esse foi nosso último filme, terminando com o final que os telespectadores e principalmente os personagens, – pelo menos no meu roteiro – nunca imaginariam que seria gravada. Mas não ligo a mínima para o que público acha, isso não é uma discussão sobre o que cada um acha, e muito menos filme de homem de ferro vs capitão américa, para cada um palpitar o lado que está. Isso não é um combate, mas se fosse, isso não seria uma batalha que você perdeu, e sim uma guerra terminada sem vitoriosos. Eu abaixei a minha espada, coloquei meu escudo no chão, eu cansei de tudo, não vou brigar pelo amor de menino nenhum, principalmente, um sem coração.
Ilustração por Rita Wainer
Texto ficcional de Marina Sayuri @marinasayurii
+sobre a autora do texto:

Meu nome é Marina Sayuri Akida, tenho 13 anos e também gosto muito de escrever. Moro em Maceió, Alagoas, mas nasci em. Desde muito pequena vivo na mesma cidade que a Dandara. Quer dizer, agora ela não mora mais aqui, está vivendo em São Paulo, mas depois desse projeto, tenho certeza de que vamos ser amigas para sempre porque temos muita coisa em comum.
Eu gosto de criar diários, já tive vários. E gosto de inventar histórias. Quando pequena escrevia textos em cordel, mas agora ando inventando roteiros e quero muito fazer um curso nessa área de criação de textos para roteiros. Ah, eu também gosto de desenhar, assim feito a Dandara, e em meu pensamento as imagens ocupam um espaço quase tão importante quanto as palavras.
