Blog de comportamento da série O Diário de Dandara

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Mania de escrever diários

Mania de escrever diários

Acho que já perdi as contas das vezes em que anotei minhas ideias, meus sonhos e desejos num pedaço de papel acreditando que tudo aquilo poderia acontecer de verdade. Ou então  das vezes quando disfarcei planos secretos, sentimentos  e possibilidades, transformando tudo o que eu sentia na realidade dos outros, daqueles a quem chamo de personagens  porque vivem uma vida inventada. Vida de ficção.

Dia desses, revirando umas gavetas, descobri que gosto mesmo é de jogar esse jogo do tudo pode acontecer, mesmo quando não acontece de verdade. Sim, porque é isso que um diário representa.

Um diário é esse lugar de possibilidades e de acontecimentos reais, onde o que já foi pode ganhar novos significados quando agente se permite passar um tempo para deixar aqueles acontecimentos adormecerem. Depois voltamos lá e revemos tudo com novos olhares.

Sempre que isso acontece, percebo que nem tudo era exatamente do jeito que eu imaginava quando escrevi. As palavras, os sentimentos e as possibilidades, ganham os contornos do nosso dia-a-dia, de como nos sentimos ou de quem somos naqueles momentos em que escrevemos em nossos diários.

Perguntei pra Claudia, a autora da minha história na ficção, o que ela sentia enquanto estava inventando a trama do meu destino. Ela me mostrou as páginas malucas de seu diário. Malucas, sim, porque ela mistura vários acontecimentos, ideias que teve para futuras histórias, personagens de outras tramas que a visitam enquanto ela tece um texto.

E a letra então…  

Porque será que adulto tem essa mania de rabiscar tudo?

No meu diário, não!

Posso até não ter a letra mais linda do mundo. Posso colar papéis e misturar acontecimentos, mas tudo acontece numa ordem, a letra tem que ser caprichada, faço desenhos e conexões com outras possibilidades criativas. Não sei escrever na maior bagunça.

Mas a Claudia disse que nem sempre foi assim, que ela já teve letra bonita, escrita pausada, bem pensada. Mas o tempo, o jornalismo, a vida real, o caos do tempo, e as ideias que surgem apressadas na cabeça de quem já sabe que tempo é coisa maluca, pode durar, mas também pode escorrer entre os dedos… tudo isso e uma incerteza doida de que não há tempo a perder, foi espichando a letra dela, puxando os fios de seus pensamentos, fazendo ela escrever em qualquer papel, amontoar ideias… Quando viu, já era assim.

Então ela me mostrou um monte de cadernos, cadernetas e diários que guarda. Seus mensageiros do tempo, como os nomeou.

Alguns de seus diários guardam sonhos que viram realidade. Noutros, ela guarda o tempo, em ideias possíveis que não importa quanto tempo levem para se tornar reais.

Não importa onde, nem como, Dandara. Um dia elas acontecem. Viram verdade!

Foi o que ela me disse. E me mostrou uma porção de rabiscos e esboços que fez enquanto sonhava com a minha volta, o que aconteceu muito tempo depois de terem publicado o primeiro livro da minha série.

Fiquei pensando nos escritos da Claudia, nas minhas possibilidades escritas em meu diário, no tanto de acontecimentos que ainda vou viver…

É, talvez a vida seja um diário aberto, pronta para ser reescrita a qualquer instante. Pronta para ser lida por diferentes olhares.

Um lugar de acontecimentos onde podemos criar nossas verdadeiras possibilidades. E pensar assim só me encheu de coragem e da certeza de que essa minha mania de escrever diários é um jeito real de guardar o tempo.

Ou quem sabe de viver a vida enquanto adormecemos os sonhos para acordá-los REAIS.

Nossa, como eu tô poética, hoje!

E você que me lê, também tem mania de escrever sua vida num diário?

Que manias você tem?

Ah, me conta, vai! Eu juro que guardo segredo…

crédito das fotos: diário da Claudia

Escrito por Dandara

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